Forus

(c) David Stanley

2026-05-27

FONGA: reorganizar a partir da experiência acumulada

A Fórum das Organizações Não Governamentais de Angola, FONGA, foi a primeira plataforma a iniciar este percurso com o Forus. O processo começou com conversas bilaterais para compreender a situação da plataforma, rever informações disponíveis e identificar que tipo de apoio poderia ser mais útil.

 

A trajetória do FONGA mostra que a reconstrução institucional exige tempo. Quando uma plataforma é sustentada por uma equipa pequena, muitas vezes com responsabilidades profissionais e pessoais paralelas, até os primeiros passos — como identificar necessidades de equipamento, reunir documentos, responder a formulários ou organizar reuniões — podem exigir mais tempo do que num contexto institucional plenamente equipado.

 

No caso do FONGA, o apoio incluiu equipamento de escritório e o acompanhamento de uma assessora estratégica com experiência no movimento internacional de plataformas de ONG. Entre setembro de 2025 e os primeiros meses de 2026, o FONGA trabalhou na construção de instrumentos essenciais para orientar a sua nova fase: um plano operacional anual, um projeto trienal, uma teoria da mudança, um quadro lógico, uma matriz de riscos e mitigação e uma matriz SMART para acompanhamento dos resultados.

 

O processo também permitiu iniciar um intercâmbio com a ABONG, no Brasil, criando uma ponte de aprendizagem Sul-Sul entre organizações que partilham desafios ligados à representação da sociedade civil, ao fortalecimento de membros e à sustentabilidade institucional. Para além dessas questões, um outro intercâmbio prévio tinha sido efetuado com o CNONGD, Plataforma das ONGs da República Democrática do Congo, com a qual partilhou-se aspectos ligados às estruturas orgânicas e funcionais, em termos de representações provinciais, patamares operacionais, e níveis de engajamento com os decisores de natureza variada

 

A experiência do FONGA lembra-nos que documentos como planos, matrizes e quadros lógicos não são apenas exigências administrativas. Quando construídos com sentido político e organizacional, podem funcionar como ferramentas para recuperar clareza, renovar compromissos e reconstruir confiança.