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2025-02-03

Navegando a crise: Construindo estratégias de comunicação resilientes para a sociedade civil

Diante de diferentes graus de instabilidade política e desinformação digital, a comunicação de crise tornou-se uma ferramenta essencial e um fluxo de trabalho crucial para as organizações da sociedade civil. Recentemente, a Forus organizou um workshop para apoiar seus membros na discussão de estratégias para se preparar, responder e se recuperar de crises que ameaçam seu trabalho.

 

Desde repressões regulatórias até ataques midiáticos e riscos reputacionais, o workshop explorou como um planejamento proativo de crise pode ser um diferencial para organizações que enfrentam desafios crescentes ou recorrentes.

 

A necessidade de uma estratégia de comunicação de crise

 

"Uma crise pode acontecer a qualquer momento. A questão não é SE ela acontecerá, mas QUANDO. E quando acontecer, sua organização estará pronta?" — Clarisse, Unidade de Comunicação da Forus

 

Muitas organizações da sociedade civil operam em ambientes politicamente sensíveis, onde uma crise – seja restrições governamentais, reação pública negativa ou campanhas de desinformação – pode impactar significativamente sua missão. O primeiro passo para a resiliência é ter uma equipe de gestão de crises com papéis e responsabilidades bem definidos.

Uma equipe de gestão de crise eficaz pode incluir:

✔ Um Líder de Crise – o tomador de decisões que orienta a estratégia.
✔ Um Líder de Comunicação – responsável pelas mensagens externas.
✔ Um Assessor Jurídico – garantindo conformidade com leis e políticas.
✔ Um Porta-voz – representando a organização nas interações com a mídia.
✔ Um Documentador – registrando ações para aprendizado futuro.

"Em tempos de crise, a clareza é poder," disse Clarisse. "Sem uma estrutura de resposta clara, a desinformação se espalha, a confusão aumenta e os danos se intensificam."

As estratégias de comunicação também incluem simulações de crise para aprimorar a tomada de decisões sob pressão, protocolos de comunicação segura para lidar com informações sensíveis e listas de contatos atualizadas para garantir uma coordenação rápida. Após a crise, um debriefing detalhado ajuda a avaliar a resposta, documentar lições aprendidas e aprimorar planos futuros para garantir transparência e aprendizado contínuo.

 

Como os membros do Forus estão lutando 

 

O workshop apresentou estudos de caso da vida real dos membros do Forus que navegaram com sucesso as crises através das comunicações estratégicas. Um deles foi o  Botswana Council of NGOs – Bocongo. Lovey Ramotlhala, da equipe de defesa e comunicação do Bocongo, compartilhou um exemplo poderoso de como a defesa estratégica ajudou a derrubar uma controversa reforma constitucional: "Nosso governo queria fazer passar uma emenda constitucional que ignorava as vozes do povo. Então nós agimos." 

 

A estratégia do Bocongo incluiu: 

📢 Mobilização da mídia - parceria com jornalistas para ampliar suas preocupações. 

📜 Educação cívica - garantir que os cidadãos compreendam seus direitos constitucionais. 

🗳️ Lobbying de políticos - pressionando pela responsabilidade na tomada de decisões. 

 

"As pessoas não tinham ideia do que estava acontecendo. Nós nos certificamos de que elas entendessem. Um público informado é um público poderoso", enfatizou Lovey. 

 

Seus esforços de comunicação mudaram a opinião pública e levaram ao fracasso da controversa lei -uma grande vitória para a sociedade civil. 

 

Anddy Landacay, do ANC Peru, membro do Forus, discutiu suas estratégias de comunicação em resposta à proposta autoritária contra a liberdade de associação no Peru. O ANC tem apoiado há muito tempo a colaboração entre seus parceiros e redes, levando à formação do REDICOM em 2017 e, mais recentemente, de uma Comissão de Comunicações para combater a crescente hostilidade em relação às ONGs.  
 

O governo peruano tem historicamente tentado controlar as ONGs, no entanto, a situação atual é mais grave, com um parlamento cada vez mais agressivo, que detém apenas uma pequena percentagem de aprovação pública, segundo dados recentes, alavancando sua maioria para aprovar leis inconstitucionais que servem interesses privados. Este parlamento promove uma agenda conservadora e anti-direitos e vê as ONGs, particularmente aquelas focadas em direitos humanos, proteção ambiental e feminismo, como obstáculos para seus objetivos. Consequentemente, as organizações da sociedade civil e os ativistas enfrentam um aumento do escrutínio e dos esforços para restringir sua influência. 

 

As principais medidas restritivas propostas em leis recentes incluem: 

  •     Proibir as ONGs de contratar com o estado, limitando sua liberdade operacional. 
  •     Permitir que o Congresso faça parte do Comitê de Direção da APCI, aumentando o controle político. 
  •     Violação do direito das ONGs ao sigilo fiscal. 
  •     Impor sanções às organizações da sociedade civil, tanto registadas como não registadas. 
  •     Restringir as suas actividades através da introdução de novas sanções e infrações. 

Diante de um parlamento que empurra leis inconstitucionais, o ANC destaca como as organizações da sociedade civil são injustamente alvos. Sua resposta inicial envolveu declarações à mídia, vídeos mostrando o impacto positivo das ONGs e materiais gráficos explicando as implicações da lei.  

 

No entanto, reconhecendo a narrativa anti-NGO enraizada, o ANC mudou sua estratégia para enfatizar como as forças autoritárias visam silenciar a sociedade civil e restringir a participação pública e cívica - todos são afetados.  

 

"Decidimos repensar nossa abordagem em colaboração com diferentes ONG e associações comunicadoras. Nosso objetivo é informar os cidadãos sobre essas leis, pois as pessoas dificilmente se envolvem com questões que não entendem. Além disso, pretendemos motivar o público a assumir a responsabilidade da mensagem e compartilhá-la amplamente", disse Anddy. 

 

"Não falamos de leis anti-NGO, agora falamos de liberdades fundamentais e liberdades, com temas que aumentam a conscientização entre as pessoas - pois isso afeta todos." 

 

Sua abordagem atual nesta crise liga esforços de comunicação a tópicos de mídia social e eventos em tempo real, visando envolver os cidadãos e construir resistência contra políticas restritivas. 

 

Social Media & Gestão de Crises: Adaptando-se a um Cenário em Mudança 

 

No mundo digital de hoje, as plataformas de mídia social podem ser tanto um aliado quanto um campo de batalha para a sociedade civil. Daniela Alvarado Rincon, da Democracy Reporting International, destacou os desafios crescentes que as organizações enfrentam devido às mudanças nas políticas de mídia social. 

 

"Plataformas como o Facebook, X (Twitter) e Instagram estão mudando suas regras. A moderação de conteúdo está evoluindo, e a sociedade civil deve se adaptar para garantir que suas vozes não sejam silenciadas." 

 

O workshop forneceu as principais conclusões para as OSCs navegarem em crises e mudanças nas plataformas digitais: 

 

📌 Monitore as mudanças na plataforma e atualize as estratégias de comunicação em conformidade. 

📌 Diversificar os canais de comunicação para evitar depender de uma única plataforma. 

📌 Desenvolver mensagens pré-aprovadas para responder rapidamente a informações erradas. 

 

Como destacado no Social_Media_Report_partilhado por Daniela, "as plataformas de código aberto permitem experiências personalizadas e uma cultura mais participativa. A descentralização pode facilitar a interoperabilidade e portabilidade de contas, as mídias sociais alternativas dependem de modelos de governança centrados na comunidade que dão aos usuários mais controle e poder de tomada de decisão do que as opções tradicionais." 

 

Como a sociedade civil pode se preparar para a crise? 

  • Não fazer mal - envolver sempre os envolvidos diretamente e garantir o consentimento e a colaboração 
  • Executar simulações de crise - Assim como os bombeiros treinam para emergências, as OSCs devem praticar a resposta à crise anualmente. 
  • Manter listas de contatos atualizadas - Saber a quem ligar em uma crise economiza tempo crucial. 
  • Pré-escreva modelos para comunicados de imprensa e declarações em redes sociais. 
  • Avaliar regularmente os riscos - Identificar potenciais ameaças antes que elas se intensifiquem. 
  • Investir em educação cívica 

Leituras adicionais: 

 

Encontre a apresentação do workshop aqui - com mais detalhes sobre as campanhas em curso da Forus, o trabalho da Bocongo, o trabalho da Democracy Reporting International e o impacto político da ANC no Peru