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2025-03-25

Reclamando o poder: A inspiradora jornada de Dianah Kamande de sobrevivente a defensora da justiça

A luta pela justiça, igualdade e dignidade muitas vezes começa nos espaços mais pessoais de dor. A história de Dianah Kamande, uma história de dificuldades inimagináveis, resiliência e triunfo, é um testemunho do poder transformador da coragem e da defesa. Como parte da campanha March with Us, sua narrativa não só inspira, mas também pede ação urgente para reimaginar os sistemas patriarcais que tantos fracassam diariamente.

Da tragédia ao triunfo 

A vida de Dianah tomou um rumo angustiante em 2013, quando a violência doméstica destruiu a ilusão do seu casamento. Durante dez anos, o que parecia ser uma união perfeita mascarou o controle e os abusos infligidos pelo marido. Um ataque violento em sua vida a deixou com 21 cortes, lesões graves que exigiram várias cirurgias e cicatrizes emocionais quase incuráveis. "Eu normalizei o abuso," lembrou Dianah. "Para mim, continuei dizendo a mim mesmo que meu marido me amava, embora eu tivesse que relatar cada movimento que eu fazia. Era como viver com uma regra de próximo movimento." 

Sua sobrevivência foi um milagre. No entanto, o trauma se estendeu além das feridas físicas: ela foi desherdada, ostracizada e até mesmo acusada de assassinar seu marido por ganho pessoal. "Meus sogros lavaram minha casa," ela contou. "Eles levaram tudo, incluindo as roupas dos meus filhos, e deixaram uma vassoura no banheiro. Disseram que matei o filho deles para poder voltar a casar."

Em vez de sucumbir ao desespero, Dianah escolheu se levantar. "Eu me perguntei: onde as mulheres como eu vão?" ela disse. "Eu queria dar a mulheres como eu, viúvas, sobreviventes da violência de gênero, uma plataforma para articular seus problemas." Ela transformou sua dor em propósito, fundando a Organização Come Together Widows and Orphans no Quênia. Sua visão era clara: criar uma sociedade onde viúvas, órfãos e sobreviventes de violência baseada em gênero pudessem reivindicar sua dignidade e seus direitos. 

 

Uma missão de advocacia e mudança 

A organização de Dianah opera com uma missão profunda: garantir justiça social, direitos humanos e empoderamento econômico para viúvas e órfãos. Esta visão é implementada através de: 

Defesa de políticas: Pressionar por reformas legislativas para proteger as viúvas de práticas prejudiciais, como a herança da viúva e a "limpeza sexual desprotegida." Dianah elaborou uma política para viúvas, mas luta com os recursos necessários para realizá-la. "A defesa de direitos precisa de recursos", enfatizou. "As leis são feitas no parlamento, mas como um CSO, quando você não tem financiamento, o progresso é lento."

Envolvimento da comunidade: parceria com líderes locais, organizações de base religiosa e educadores para desmantelar práticas culturais prejudiciais e difundir a conscientização sobre os direitos humanos. "Trabalhamos com os guardiões da cultura", compartilhou Dianah. "Estes são os anciãos, líderes de fé e professores que podem influenciar a mudança." 

Educação e empoderamento: programas de mentoria para meninas, treinamento paralegal para viúvas e ritos alternativos de passagem para comunidades que praticam mutilação genital feminina. "Quando as meninas estão equipadas com as ferramentas certas, elas podem quebrar os ciclos de violência e opressão", explicou Dianah. 

Empoderamento econômico: CTWOO garante que as viúvas possam alcançar independência financeira por meio de treinamento de habilidades e parcerias com partes interessadas. "Queremos que eles vivam uma vida holística e plena", disse Dianah. "A prosperidade faz parte do seu direito." 

 

Quebrando o Silêncio sobre a Viúva

A viúva, como Dianah enfatiza, não é uma escolha nem uma carreira. "Ela te encontra em qualquer lugar, de qualquer maneira", afirmou. "A maioria dos homens e mulheres casados são candidatos à viuvez, mas a sociedade trata as viúvas como se elas fossem culpadas pelo seu status."

Só no Quênia, existem mais de quatro milhões de viúvas, muitas das quais enfrentam dupla discriminação devido ao seu sexo e estado civil. "As viúvas são mulheres em primeiro lugar," diz Dianah, "mas elas também são duplamente marginalizadas." 

Através da sua defesa, Dianah tem suscitado conversas importantes sobre os direitos das viúvas. "O Protocolo de Maputo reconhece que as viúvas têm o direito de voltar a casar com a pessoa da sua escolha," observou Dianah. "Mas na prática, eles são ditados e ostracizados. Isso deve mudar."

O papel da educação e da colaboração 

O trabalho de Dianah ressalta o poder transformador da educação. Ao treinar jovens meninas e envolver os guardiões da comunidade, ela está desafiando normas arraigadas. Os programas alternativos de ritos de passagem e mentoria equipam as jovens com as ferramentas para quebrar os ciclos de violência e opressão. Da mesma forma, o treinamento paralegal para viúvas capacita-as a navegar pelos sistemas jurídicos e reivindicar seus direitos. "A educação ajuda as pessoas a ver além de suas normas culturais", explicou. "Quando você mostra a eles o impacto das práticas prejudiciais, eles começam a abraçar alternativas." 

Suas iniciativas também incluem a distribuição de suprimentos essenciais, como toalhas sanitárias e mentoria de meninas. "Algumas meninas nem sequer têm roupa interior," disse ela. "Nós garantimos que elas não são apenas educadas, mas equipadas para a dignidade."

Dianah também reconhece a importância da ação coletiva. Ela convida organizações globais, voluntários e estudantes para colaborar, enfatizando que a mudança social é uma responsabilidade compartilhada. "Se não mudarmos a nossa sociedade agora," ela adverte, "quando vamos?" 

Um apelo à ação 

 

O tema da campanha "Reimaginando o poder" se alinha com a visão de Dianah. Sua jornada nos compele a agir. Como ativistas e líderes da sociedade civil, devemos: 

  • Advogar pela alocação de recursos para organizações populares.
  • Apoiar políticas que protejam grupos vulneráveis e eliminem práticas culturais prejudiciais. 
  • Amplificar as vozes de sobreviventes e ativistas para inspirar mudanças sistêmicas. 

Clique aqui para o episódio completo do podcast com a Dianah.