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2025-05-08
Reescrevendo a narrativa: Histórias estratégicas para a mudança
A narrativa estratégica já não é um luxo — é uma necessidade.
Esse foi o tema central de um workshop online sobre comunicação organizado pela Forus, com participação de toda a rede e apresentações da La Coordinadora e da Red Encuentro.
Intitulado “Narrativa Estratégica: Narrativas para a Ação”, o encontro reuniu participantes de todo o mundo, criando um espaço multilíngue e multigeracional para troca de experiências. O objetivo foi refletir sobre como a sociedade civil pode comunicar com mais clareza, estratégia e impacto.
“Precisamos passar de reagir ao discurso público para moldá-lo,” disse Bibbi Abruzzini, coordenadora de comunicação da Forus. “Isso significa colocar pessoas reais no centro das nossas histórias,” completou.
Contar nossas histórias com impacto
Yolanda Polo Tejedor, da La Coordinadora, membro da Forus na Espanha, apresentou uma inovadora plataforma de comunicação sobre direitos humanos, desenvolvida ao longo de três anos com contribuições de mais de 130 profissionais.
“Percebemos que nossa linguagem nem sempre estava alinhada com nossos valores,” disse ela. “Por isso criamos uma caixa de ferramentas para ajudar comunicadores — e organizações inteiras — a repensar como falam sobre pessoas, poder e direitos.”
A plataforma tem como base perspectivas feministas, decoloniais, de proteção infantil e de paz, e já está sendo utilizada para formar milhares de estudantes de jornalismo e comunicação.
Lucas Santero, da Red Encuentro, membro da Forus na Argentina, apresentou uma campanha emocionalmente marcante chamada Los Imprescindibles (Os Indispensáveis), que utiliza personagens gerados por IA com estilo de brinquedos para contar histórias reais de trabalhadores comunitários que costumam ser invisibilizados.
“Queríamos usar um estilo visual popular,” disse Lucas, líder da campanha, “mas com significado. Esses personagens representam cozinheiras, treinadores, educadoras — as pessoas que sustentam nossas comunidades.”
Enfrentar restrições com resistência criativa
Participantes também compartilharam como a narrativa estratégica tem sido uma ferramenta vital em contextos restritivos. Issouf Kabore, responsável de comunicação da SPONG em Burkina Faso, lembrou como a sociedade civil foi ameaçada em tempos sociopolíticos desafiadores.
“As atividades das ONGs foram subitamente proibidas,” contou. “Nos mobilizamos rapidamente para nos reunir com o Primeiro-Ministro e esclarecer quem éramos. Depois lançamos uma campanha digital para mostrar ao público o nosso valor.”
A iniciativa destacou histórias de sucesso nas áreas de educação, saúde e meio ambiente. Mesmo com recursos limitados, a visibilidade aumentou significativamente — ajudando a proteger o espaço cívico num momento crítico.
Em Brazzaville, Justin Mambuki, da CCOD, contou como sua equipe utilizou fotografias e testemunhos para mobilizar 1.000 cidadãos em uma campanha para substituir uma empresa de gestão de resíduos ineficaz.
“Usamos médicos e testemunhas ao vivo para dar credibilidade,” explicou. “A participação cidadã transformou a história em ação.”
Estratégias de comunicação
As pessoas participantes foram divididas em grupos de trabalho para explorar como aproveitar o poder das narrativas positivas para gerar mais impacto. Vários temas comuns emergiram:
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A simplicidade importa: “Precisamos abandonar o jargão,” afirmou Naztia Haryanti, da INFID, Indonésia. “Nossos membros precisam entender e usar nossas mensagens.”
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Humanizar tudo: A Global Focus, da Dinamarca, compartilhou uma história sobre como fornecer informações adicionais como sociedade civil para outros meios de comunicação em questões importantes.
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Usar múltiplos formatos: Flora Baron, da Association Batik International, descreveu campanhas que utilizam quadrinhos para envolver jovens na promoção do empoderamento das mulheres rurais. “Os desenhos podem alcançar onde as palavras não chegam,” disse ela.
A rede Unidosc no México compartilhou uma campanha dos anos 1990 sobre câncer que rompeu com as narrativas convencionais de doença e morte, focando, em vez disso, na vida, no autocuidado e na escuta do próprio corpo. Com recursos mínimos, usaram silhuetas e corpos nus — algo inédito na televisão da época — para gerar um grande impacto midiático. Co-criada com jovens em serviço social, a campanha permanece como um poderoso lembrete de como uma narrativa visual ousada e humana pode ir muito longe.
A Red Encuentro na Argentina também falou sobre a campanha Mayo Me Viene Bien, que abordou a saúde menstrual. O objetivo era trazer a pobreza menstrual para o debate público — uma questão profunda que afeta os direitos de muitas mulheres e meninas adolescentes. Compartilharam um dado alarmante: 30% das meninas em idade escolar na Argentina deixam de frequentar a escola por falta de produtos de higiene menstrual. A campanha buscou conscientizar e dar visibilidade a essa realidade muitas vezes silenciada.
La Coordinadora também mencionou uma parceria com a Casa África nas Ilhas Canárias e um programa de rádio online que aborda temas como mudança climática, feminismo, defesa da democracia e espaço público.
Não deixamos ninguém para trás. E você?
Vitória Dacal, da Forus, apresentou a nova campanha multilingue e participativa Não deixamos ninguém para trás. E você?, que celebra o trabalho das OSCs ao redor do mundo ao mesmo tempo em que desafia governos e outras partes interessadas a refletirem sobre suas ações e compromissos.
Ao se juntar à campanha Não deixamos ninguém para trás. E você?, você ajuda a amplificar o trabalho notável da sociedade civil e a inspirar outras pessoas a agir. Juntas e juntos, podemos mostrar que os ODS são mais do que metas — são uma promessa compartilhada de construir um futuro melhor para todas as pessoas.
Seja você um formulador de políticas, um líder da sociedade civil ou um cidadão engajado, sua voz e suas ações importam. Vamos garantir que ninguém fique para trás.
Uma caixa de ferramentas
O workshop terminou com a co-criação de uma Caixa de Ferramentas de Narrativa Estratégica, reunindo métodos, exemplos e aprendizados da sessão. De dicas práticas de campanha a estruturas éticas de narrativa, o material foi concebido para apoiar comunicadores, equipes de programas e ativistas. Atualmente, está sendo desenvolvido em conjunto com o Grupo de Trabalho de Comunicação da Forus.
👉 Compartilhe exemplos no rascunho da caixa de ferramentas aqui!