2023-01-31
Peru: 130 organizações da Sociedade Civil assinam uma declaração em defesa da Vida e da Democracia.
UM PLANO NACIONAL PARA A DEMOCRACIA, OS DIREITOS HUMANOS E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E INCLUSIVO COMO UMA SAÍDA PARA A CRISE POLÍTICA NACIONAL
DEMISSÃO DE DINA BOLUARTE E ELEIÇÕES ESTE 2023
Tendo em conta os recentes acontecimentos graves no país, as organizações da sociedade civil abaixo assinadas expressam o nosso reconhecimento e saúdam o exemplo de coragem e dignidade do povo, sindicatos, organizações de jovens e de mulheres, mobilizados numa grande parte do território nacional em defesa da vida, da liberdade, da dignidade e da democracia, que clama por uma resposta política dos cidadãos.
Sentimo-nos parte das lutas dos nossos povos. Com estes esforços esperamos contribuir para a possibilidade de abrir um canal democrático para um novo projecto político para os excluídos, vítimas do classismo, do racismo e do patriarcado, que têm sido negligenciados durante séculos.
- Rejeitamos as acções autoritárias e violentas do governo, o atropelo da liberdade e a violação dos direitos humanos em resposta ao legítimo direito de protesto dos cidadãos e às suas justas exigências democráticas. Esta perigosa deriva autoritária resultou, até agora, em 56 mortes. 9 menores, 46 vítimas de execuções extrajudiciais, 912 feridos, detenções ilegais, durante as quais os detidos foram agredidos e as mulheres agredidas sexualmente, bem como mais de 100 pessoas investigadas sem garantias de um processo justo.
- A fim de justificar a violência do Estado, com o apoio dos meios de comunicação social ao serviço dos grupos de poder, geram um cenário de guerra interna que procuram legitimar, acusando cidadãos e dirigentes sociais e sindicais de serem terroristas. Fazem-no sem provas para o apoiar e ignorando conscientemente o facto de que estas organizações indígenas e populares não foram apenas afectadas e violadas pelo terrorismo, que custou a vida de centenas de líderes populares em defesa das suas organizações e da democracia, e foram um dos arquitectos mais importantes da derrota do Sendero Luminoso criminoso.
- Criticamos o desempenho dos procuradores e do judiciário por não cumprirem a sua função de defesa dos direitos, recusando-se a receber habeas corpus, bem como por não estarem presentes em tempo útil nos momentos em que a população mobilizada é reprimida, deixando os cidadãos desamparados. Exigimos o reforço das procuradorias dos direitos humanos, que foram desmanteladas reduzindo-as de 12 para 7, e que sejam responsáveis pela investigação de crimes contra a população mobilizada e não os do crime organizado.
- Rejeitamos firmemente os actos de vandalismo cometidos por infiltrados e grupos violentos que actuam em marchas e manifestações pacíficas para os desacreditar. Exigimos que o PNP cumpra a sua responsabilidade de identificar e prender os responsáveis por estes actos, bem como de agir em conformidade com as normas nacionais e internacionais estabelecidas para o controlo de conflitos sociais.
- A presença de sectores tradicionalmente ignorados como as organizações indígenas e camponesas, bem como de amplos sectores da sociedade, especialmente nas regiões com os mais altos níveis de vulnerabilidade, compromete-nos a todos a dialogar na plataforma política que os articula e reúne, bem como a construir uma agenda nacional a curto e médio prazo com mecanismos, objectivos e estratégias claros. Só assim conseguiremos expandir e reconstruir um espaço político com legitimidade e iniciar um processo de reconstrução da democracia, do Estado de direito e do respeito pelos direitos humanos.
- Esta é a via para enfrentar e inverter a clara ameaça conservadora e autoritária que procura impor no nosso país a sua agenda ideológica contra os direitos de todos, bem como um regime de cima para baixo e de exclusão, ao serviço das potências que estão ao seu serviço. É a partir da solução das exigências políticas da população mobilizada que as várias agendas regionais devem ser articuladas de forma abrangente, apresentando propostas para as questões críticas que permitirão colmatar as lacunas estruturais que estão na base das mobilizações maciças na maioria das regiões do país.
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Esta agenda nacional e descentralizada deve ter como base essencial a defesa do direito à vida, à liberdade, à dignidade e ao pleno desenvolvimento como pilares essenciais da nossa sociedade, bem como a defesa dos direitos civis e políticos, tanto das mulheres como dos direitos económicos , sociais, culturais e ambientais. Para lhe dar conteúdo democrático e sustentabilidade, esta agenda deve ser construída por meio do diálogo e da pactuação entre a população e suas organizações, governos regionais e locais, bem como com os múltiplos atores econômicos, sociais, ambientais e culturais de cada um dos territórios.
Diante da gravidade da crise que atravessamos como componentes da sociedade civil, propomos com urgência:
- Renúncia da Presidente Dina Boluarte
- Adiamento das eleições para 2023, sem alterações no JNE e no ONPE. O primeiro turno deve ser realizado em outubro, o segundo turno em novembro e a mudança de ambos os poderes do Estado até 31 de dezembro.
- Nem mais uma morte. Reconhecimento e garantia do exercício do direito de protesto sem criminalizá-lo e em conformidade com as normas internacionais.
- Renovação da Mesa Diretora do Congresso para eleger uma presidência com um mínimo de legitimidade cidadã para conduzir o processo eleitoral e a transição para novas autoridades.
- Referendo para que o povo decida iniciar um processo Constituinte.
- Mudança de comandantes de polícia responsáveis por execuções extrajudiciais e reforma da polícia. -
Promover a articulação nacional das representações territoriais da sociedade mobilizada, para fortalecer a sua capacidade de negociação com os poderes do Estado da agenda que reclamam há semanas como solução política para a crise. Rejeitamos qualquer tentativa de ignorar essa agenda e limitar o diálogo ao que o governo chama de agenda social.
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Apelamos às várias organizações internacionais, bem como às instituições legítimas como a ANGR ou as universidades nacionais, para que assumam um papel activo de mediação entre a sociedade mobilizada, com o Governo e o Congresso, para fazer face a reivindicações políticas urgentes.
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Assumimos o compromisso de participar com nossas propostas e a partir de nossas posições, de um amplo diálogo nacional a partir dos territórios com vistas à instalação de um novo governo, para pactuar agendas de curto e médio prazos.
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Acompanharemos e participaremos de diálogos e reuniões com organizações e representantes sociais, econômicos e políticos dos diversos territórios para pactuar propostas e pactuar prioridades nas agendas de desenvolvimento. Coordenar e fazer alianças com os governos regionais e com as articulações sociais do norte, centro e sul do Peru, para abrir espaços de diálogo regional representativo e autônomo.
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Por fim, convocamos as organizações da sociedade civil para que monitorem e fiscalizem a investigação das mortes de mais de 56 pessoas, das centenas de feridos e das violações da dignidade das mulheres detidas em San Marcos e durante os protestos e investigações de direitos humanos, reiterando que políticas públicas efetivas sejam adotadas para reparar as vítimas desses eventos recentes.
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E exortamos os representantes das delegações do sistema das Nações Unidas, da União Européia e da OEA a permanecerem vigilantes e se manifestarem diante dos graves acontecimentos que estão ocorrendo em nosso país, a fim de evitar a estigmatização do protesto social e a repressão violenta se aprofunda.
Lima, 26 de janeiro de 2023
Articulación de Organizaciones, Redes y Plataformas de la Sociedad.
Se inscrever:
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ASOCIACIÓN NACIONAL DE CENTROS-ANC
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13 BRUJAS
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ADECEP/PURISAK WARMYKUNA
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ADEPROSACO
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ALTERNATIVA CENTRO DE INVESTIGACION SOCIAL Y EDUCACION POPULAR
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AMUNETRAP
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ANCIJE-SAN MARTIN
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APDES
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ARTICULACIÓN FEMINISTA MARCOSUR
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CENTRO FLORA TRISTÁN
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ASAMBLEA DE DELEGADOS DE ORGANIZACIONES DE LA SOCIEDAD CIVIL DE LAMBAYEQUE - ADOSCIL
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ASOCIACION AMAR C
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ASOCIACIÓN ARARIWA
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ASOCIACIÓN CIVIL JAPIQAY, MEMORIA Y CIUDADANÍA
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ASOCIACIÓN CULTURAL LUPUNA - ARTES AMAZÓNICAS
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ASOCIACIÓN DE COMUNICADORES SOCIALES CALANDRIA
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ASOCIACIÓN DE MUJERES PERUANAS AFECTADAS POR LAS ESTERILIZACIONES FORZADAS, AMPAEF
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ASOCIACIÓN DE PRODUCTORES Y EMPRENDEDORES ECOLÓGICOS DE QUEBRADA VERDE
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ASOCIACIÓN DE PROMOTORAS DE SALUD DEL DISTRITO DE INDEPENDENCIA.
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ASOCIACIÓN HUMANIDAD LIBRE
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ASOCIACIÓN PERLAS DE YURA
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ASSOCIAZIONE STUDIO3R DI MEDIAZIONE LINGUISTICA CULTURALE
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AVEF-LIMA-CALLAO-AMPAEF
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BRIGADA VOLUNTARIA DE SALUD
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CADEP JOSE MARÍA ARGUEDAS-CUSCO
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CANAL DE TV YOLI TV HUARAZ - PERIODISTA RADIO GRTE. INTEGRACIÓN HUARMEY
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CECYCAP
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CEDAL-CENTRO DE DERECHOS Y DESARROLLO
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CEDER
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CEEPIP
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CENDIPP
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CENTRO AMAZÓNICO DE ANTROPOLOGÍA Y APLICACIÓN PRÁCTICA (CAAAP)
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CENTRO ANDINO DE EDUCACIÓN Y PROMOCIÓN - CADEP - JOSÉ MARÍA ARGUEDAS
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CENTRO BARTOLOMÉ DE LAS CASAS
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CENTRO DE DESARROLLO ANDINO SISAY
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CENTRO DE EMPODERAMIENTO DE PERSONAS CON DISCAPACIDAD - CEMPDIS
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CENTRO DE INVESTIGACIÓN DOCUMENTACIÓN Y ASESORÍA POBLACIONAL CIDAP
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CENTRO DE PROMOCIÓN DE LA MUJER MICAELA BASTIDAS _ TRUJILLO
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CENTRO LOYOLA AYACUCHO
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CENTRO WAMAN WASI
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CEPRODEP
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CIPCA
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CIUDADANÍA ACTIVA
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CLADEM PERÚ
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COLECTIVA MUJER Y PODER
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COLECTIVO SONQO WARMI
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COMITÉ DE DEFENSA DEL AGUA- IQUITOS
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COMITÉ NACIONAL DEL FORO SOCIAL PANAMAZÓNICO, ESCUELA PARA EL DESARROLLO
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CONADES JUVENIL
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CONSEJO DE EDUCACIÓN POPULAR DE AMÉRICA LATINA Y EL CARIBE- PERÚ
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COOPERACCIÓN
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COORDINADOR DE DESPLAZADOS DE LIMA SUR
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COORDINADORA NACIONAL DE DERECHOS HUMANOS- CNDDHH
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COORDINADORA NACIONAL DE FAMILIARES DE VÍCTIMAS DE DESAPARICIÓN FORZADA DEL PERÚ. (CN. FAVIDEFO-PERÚ)
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CUT-SM
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DESSOS
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EMPODERADXS
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EQUIPOS DOCENTES AULAS ABIERTAS
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ESCUELA MAYOR DE GESTIÓN MUNICIPAL
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ESTUDIOS AMAZÓNICOS
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FARTAC
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FEDERACIÓN DE TRABAJADORES DEL AGUA POTABLE Y ALCANTARILLADO DEL PERU - FENTAP
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FÉMINAS PERÚ
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FENMUCARINAP-SM
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FOMENTO DE LA VIDA- FOVIDA
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FORO REGIONAL POR LOS DERECHOS SEXUALES Y REPRODUCTIVOS FORDES AREQUIPA
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FORO SALUD
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FÓRUM SOLIDARIDAD PERÚ
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FREDEPA
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FRENTE DE DEFENSA Y DESARROLLO DE LA PROVINCIA DE HUANCAYO
-
FRENTE DEFENSA DEL DISTRITO DE ISLAY
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FUNDAVAL
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GESTIÓN PARA EL DESARROLLO SOSTENIBLE
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GIMCC
-
GOBIERNO REGIONAL CUSCO
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GRESP PERU
-
GRUPO GÉNERO Y ECONOMÍA
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GRUPO NACIONAL DE PRESUPUESTO PUBLICO
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IFEJANT
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ILLA
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INICIATIVA CIUDADANA CONTRA LA CORRUPCIÓN AYACUCHO - ICCCA
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INSTITUTO DE INVESTIGACIONES ECONÓMICAS UNAM
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INSTITUTO PARA EL DESARROLLO Y LA PAZ AMAZÓNICA
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ISOLA SOLIDALE
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JUBILADOS DE EDUCACIÓN
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LATINDADD - RED LATINOAMERICANA POR JUSTICIA ECONÓMICA Y SOCIAL
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LESBIANAS INDEPENDIENTES FEMINISTAS SOCIALISTAS-LIFS
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MANOS CREATIVAS
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MARCHA MUNDIAL DE LAS MUJERES
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MASA PERU
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MESA DE CONCERTACIÓN DE GÉNERO -COMAS
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MISS PERÚ TRANS
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MOVIMIENTO MANUELA RAMOS
-
MOVIMIENTO TLGBQIA+ CALLAO
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NI UNA MENOS SOMOS TODAS- SAN JUAN DE LURIGANCHO
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NO MADE ARTE, ACCIÓN, POLÍTICA.
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NUEVO PERÚ POR EL VIVIR
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OBSERVATORIO DE LOS DERECHOS SEXUALES Y REPRODUCTIVOS DE LAS PERSONAS CON DISCAPACIDAD, ODISEX
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ODAER. ORGANIZACIÓN PARA EL DESARROLLO AMBIENTAL Y LA EDUCACIÓN REGIONAL
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ORG.DE MUJERES YACHAQMAMA
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PARTIDO SOCIALISTA
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PATRULLAS ECOLÓGICAS INSTITUTO DE CIUDADANÍA AMBIENTAL, INCLUSIÓN SOCIAL, ODS
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PAZ Y ESPERANZA
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PERÚ EQUIDAD
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PLATAFORMA DE COMERCIO JUSTO Y CONSUMO ÉTICO- PERÚ
-
PLATAFORMA PARA EL ORDENAMIENTO TERRITORIAL - POT
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PROMSEX, CENTRO DE PROMOCIÓN Y DEFENSA DE LOS DERECHOS SEXUALES Y REPRODUCTIVOS
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QUINTA OLA
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RED AGUA DESARROLLO Y DEMOCRACIA
-
RED DE MUJERES ORGANIZADAS DE CARABAYLLO PREVINIENDO LA VIOLENCIA DE GÉNERO.
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RED DE PROMOTORES DEL DISTRITO DE INDEPENDENCIA "TRABAJANDO POR UN FUTURO SIN VIOLENCIA"
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RED MUJERES ORGANIZADAS DE CARABAYLLO PREVINIENDO LA VIOLENCIA DE GÉNERO
-
RED OLLAS COMUNES DE LIMA METROPOLITANA
-
RED UNIENDO MANOS PERÚ
-
REDIFAAC
-
RENUNCIA DE DINA Y NUEVAS ELECCIONES 2023
-
SEDYS TRUJILLO
-
SEMILLA INTERCULTURAL
-
SER
-
SJL EN ACCIÓN
-
SOLIDARIDAD PARA EL DESARROLLO
-
SOMOS SUR COCHABAMBA
-
SUTE CANCHIS
-
SUTEP
-
SUTRA UGEL CUSCO
-
UNIVERSIDAD NACIONAL DE LA AMAZONÍA PERUANA
-
UNIVERSIDAD NACIONAL DE SAN CRISTÓBAL DE HUAMANGA
-
UNIVERSIDAD NACIONAL DEL CENTRO DEL PERÚ
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WARMIKUNA PURIRISUN CANCHIS
-
YO SOY SEMILLA