2026-06-03
Plantando as sementes do futuro Post-2030
Forus lançou a Visão Pós-2030 da rede. E a sala — virtual como era — estava elétrica. Em 21 de maio, reunimos vozes de todo o mundo — do Pacífico a Nova York, de Helsinque a Santiago, de Tóquio ao Secretariado da ONU — para fazer uma das perguntas mais importantes do nosso tempo: o que vem depois de 2030 e quem tem o direito de moldá-lo?
A resposta foi clara: a sociedade civil deve estar na mesa desde o início. Não quando as negociações começam. Não quando as linhas vermelhas já estão traçadas. Agora.
Por que agora?
As negociações formais não começarão até 2027 — mas as narrativas, alianças e dinâmicas de poder estão sendo escritas hoje. Como disse Miguel Santibáñez, ACCION, Chile:
“Por que agora? Porque as narrativas já estão sendo moldadas, as alianças estão sendo construídas, as prioridades estão sendo estabelecidas e as relações de poder entre os principais atores no contexto global estão sendo definidas.”
E os riscos de errar são altos:
“O cenário de fragmentação é real — mais fraco, mais ameaçador, mais seletivo, mais condicionado pela geopolítica, pela guerra e por interesses particulares. E esse risco cresce quando a sociedade civil chega tarde à conversa.”
Principais conclusões dos palestrantes:
Sobre o momento político: "Não estamos em 2015. As condições políticas que permitiram a adoção dos ODS — o espírito de cooperação multilateral, o senso de propósito global compartilhado — se deterioraram significativamente. A sociedade civil está entrando nesse processo em um ambiente mais restrito. E isso não torna nosso papel menos importante. Torna-o mais urgente." — Justina Kaluinaite, Presidente do Forus
Sobre o que a sociedade civil deve defender: "Defendemos um sistema multilateral forte — por mais imperfeito que seja — porque, sem ele, não há um fórum legítimo para as negociações que precisam acontecer." — Emeline Siale Ilolahia, PIANGO, Ilhas do Pacífico
Sobre o que precisa mudar: "A reforma financeira deve estar no centro de qualquer estrutura futura. Não nas margens. Não como um anexo. No centro. O atual status quo financeiro falhou com os ODS. Não aceitaremos uma agenda pós-2030 que finja o contrário." — Emeline Siale Ilolahia
Sobre a localização: "A maior lição dos ODS é clara: uma agenda global pode ser universal, ambiciosa, até transformadora — mas se não se traduzir em capacidades concretas, financiamento e parcerias no nível local, ela permanecerá incompleta." — Iñigo Arbiol, Coalizão Local 2030 da ONU
"O que a sociedade civil pode trazer para esse processo é legitimidade. E o outro lado da moeda é a responsabilização: se você me der propriedade, eu vou responsabilizá-lo pelo que você se comprometeu a fazer." — Iñigo Arbiol
Sobre o papel da sociedade civil: "O engajamento da sociedade civil não é apenas uma ideia normativa de princípio. É um componente necessário para o sucesso — especialmente no nível local e nacional. À medida que o sistema da ONU começa a encolher, esse papel não é um complemento opcional. É necessário para o funcionamento do sistema." — Adam Lupel, Coalition for the UN We Need
"A energia criativa, a inovação e o verdadeiro pensamento de futuro em torno das Nações Unidas neste momento vêm da sociedade civil." — Adam Lupel
Sobre ser ousado: "A sociedade civil tem o poder de ser visionária, de ser ousada. Ela precisa entender como responder ao momento geopolítico — e ver aparentes retrocessos como portas abertas." — Elena Bertozzi, Starling Institute
Sobre implementação e evidências: "Não é uma questão de confiança. É uma questão de evidência. Soluções multissetoriais, enraizadas localmente, funcionam. Elas entregam resultados. Elas aceleram a implementação dos ODS. E agora, ao contrário de 2015, temos a prova." — Iñigo Arbiol
Sobre o que vem a seguir: "Quando chegarmos à Cúpula dos ODS, o documento final já estará acordado. O momento formativo é agora — começar a ajudar a moldar as conversas antes que as janelas se fechem." — Naiara da Costa Chaves, UNDESA
Os três D's — nossa bússola política para o caminho até 2027:
✅ O que defendemos — universalidade, direitos humanos, espaço cívico, liderança local, os avanços normativos da era dos ODS
📣 O que exigimos — reforma do financiamento no centro, responsabilização obrigatória, participação significativa da sociedade civil
🚫 O que recusamos — uma estrutura diluída, inclusão simbólica, responsabilização voluntária e performativa
"As negociações pós-2030 não serão vencidas por nenhuma única organização ou Estado-membro. Elas serão moldadas por coalizões — coalizões dos dispostos. E coalizões são construídas antes da abertura das negociações. É por isso que estamos começando hoje." — Marie L'Hostis, Forus
📄 Leia o Resumo Executivo e junte-se ao caminho até 2027 👇 🔗 https://www.forus-international.org/pt/event/join-the-launch-of-the-forus-post-2030-vision
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