© NGO Forum on ABD

Forus

© Forus

2025-07-19

Os membros da Forus pedem reformas radicais no FPAN 2025

19 de julho, Nova Iorque – À medida que o mundo entra na reta final de cinco anos para alcançar a Agenda 2030, a Forus e os seus membros estão a dar o alarme – e a oferecer um caminho a seguir. 

 

No Fórum Político de Alto Nível da ONU, que está acontecendo em Nova York, a rede Forus começou o dia 18 de julho com o lançamento virtual do novo relatório de Forus: “Liberando o poder da localização e das parcerias entre múltiplas partes interessadas para resgatar os ODS”. Com contribuições de 20 membros de Forus e um painel de discussão com representantes da CODE-NGO (Filipinas), CONGCOOP (Guatemala) e TANGO (Gâmbia), a sessão moderada pela VANI (Índia) e lançada pela diretora de Forus, Sarah Strack, analisou histórias e experiências sobre processos e esforços de localização em toda a rede.  

 

“Com apenas cinco anos restantes até 2030 e apenas 17% das metas dos ODS em dia, enfrentamos uma convergência de crises globais que ameaçam atrapalhar o progresso. No entanto, a esperança está na localização — no poder das comunidades, nas parcerias inclusivas e na inovação dos atores locais que já estão impulsionando a resiliência e os resultados”, disse Jyotsna Mohan Singh, Diretora de Advocacia de Forus e autora principal do relatório. 

 

“Como Alicia Bárcena nos lembra, a Agenda 2030 deve ser nossa oportunidade de transformar o desenvolvimento — em direção à igualdade e à sustentabilidade”, disse Alejandro Aguirre Batres, diretor executivo da CONGCOOP, Guatemala. A CONGCOOP apoia comunidades indígenas e rurais no fortalecimento de sua participação política por meio da educação cívica, monitoramento participativo do orçamento e auditorias sociais. Esses esforços visam responsabilizar as autoridades públicas e promover a transparência nos gastos com desenvolvimento. 

 

Seu trabalho vai além do monitoramento: eles também defendem uma reforma tributária progressiva no Congresso e destacam a tributação insuficiente das elites como uma barreira estrutural ao financiamento do desenvolvimento sustentável.

 

Ndey S. Bakurin, Diretora Executiva da TANGO, Gâmbia, compartilhou o papel da TANGO na localização dos ODS. A TANGO defende a sociedade civil, representando as OSCs em comitês diretivos nacionais e órgãos técnicos, garantindo que suas vozes influenciem as políticas. Ela envolve as partes interessadas do governo para fortalecer a participação cívica no planejamento do desenvolvimento. Para promover a colaboração, a TANGO convoca reuniões com várias partes interessadas sobre os ODS, apoiando o diálogo entre OSCs, governo e parceiros de desenvolvimento — inclusive durante eventos importantes como a Cúpula do Futuro.  

 

Por exemplo, no ODS 5 (Igualdade de Gênero), “a TANGO apoia uma resposta abrangente à violência de gênero (VG), incluindo representação legal e acesso à justiça. Ela promove a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos (SRHR), o empoderamento econômico e os meios de subsistência para mulheres e meninas. A TANGO também lidera campanhas de mudança social e comportamental, desenvolve a capacidade das OSCs comunitárias e fornece apoio técnico e financeiro para iniciativas de base. Além disso, trabalha para fortalecer os sistemas de coleta de dados para monitorar melhor o progresso na igualdade de gênero”, compartilhou Ndey S. Bakurin, Diretora Executiva da TANGO. 

 

O evento preparou o terreno para uma conversa dinâmica sobre como os líderes da sociedade civil podem trabalhar juntos em prol da Agenda 2030 no evento “Envolvimento das OSCs nas Revisões Nacionais Voluntárias – Foco nos ODS 16 e 17”, que destacou as percepções de vários membros do Forus, como NNNGO (Nigéria), ADA (Ásia), PDA (Paquistão) e INFID (Indonésia), e foi presidido por Zia Ur Rehman, da Aliança para o Desenvolvimento da Ásia. 

 

“Precisamos repensar o sistema global de ajuda” – Zia Ur Rehman (ADA)

 

Zia fez uma crítica contundente às prioridades globais de financiamento, destacando como os fluxos financeiros distorcidos do Sul para o Norte estão prejudicando o desenvolvimento:

 

“Há uma quantidade excessiva de financiamento indo do Sul Global para o Norte para armamento – que poderia ser usado para a implementação dos ODS.”  

 

“Em média, os governos asiáticos gastam apenas 6-8% do PIB nos ODS – isso não é suficiente.”

 

“O serviço da dívida é o outro grande desafio. O montante gasto no reembolso da dívida poderia proporcionar saúde e educação básicas. Precisamos repensar o sistema global de infraestrutura de ajuda – ele é antidemocrático e explorador.” 

 

Seu apelo para reformular os fluxos financeiros internacionais ecoou uma frustração crescente entre as OSCs sobre a falta de tomada de decisão democrática e responsabilidade no processo dos ODS.

 

“As Revisões Nacionais Voluntárias devem se tornar ferramentas da verdade, não do simbolismo.” – Oyebisi Oluseyi (NNNGO)

 

Em sua intervenção, Oyebisi Oluseyi, diretor executivo da Rede de ONGs da Nigéria (NNNGO), baseou-se nas principais conclusões do relatório Forus recém-divulgado, que analisa 10 anos de Revisões Nacionais Voluntárias (ENV) — o que funcionou e o que não funcionou. 

 

“À medida que nos aproximamos dos últimos cinco anos da Agenda 2030, devemos perguntar: as revisões nacionais voluntárias estão promovendo responsabilidade e progresso reais ou são exercícios simbólicos?” 

 

A partir de uma análise de 366 ENV apresentados desde 2016, o relatório revela:

 

Um declínio nas submissões, de 47 em 2019/2020 para apenas 36 em 2024.

  • Integração inconsistente dos ODS no planejamento nacional. 
  • Uma dramática falta de espaço cívico e de um ambiente propício para a apresentação de relatórios pela sociedade civil, com apenas 1 dos 42 ENV em 2021 mencionando a redução do espaço cívico. 
  • Inclusão simbólica das OSCs, com envolvimento frequentemente realizado, mas não refletido nos resultados. 

Oyebisi alertou que, sem um envolvimento cívico genuíno e responsabilidade pública, o processo de monitoramento e avaliação dos ODS corre o risco de se tornar um exercício performático. 

 

O que está funcionando — o que precisa mudar

 

O relatório de Forus destaca vários exemplos promissores:

Sri Lanka: melhores resultados dos ENV por meio de programas de geminação.

Uruguai: ENV intersetoriais envolvendo o parlamento, as OSCs e o setor privado.  

Canadá e Chile: estratégias de localização sólidas com participação ativa do governo local.

Mas esses exemplos continuam sendo exceções — não a regra. 

 

A Forus e seus membros propõem cinco recomendações principais para resgatar os ODS: 

 

Institucionalizar o envolvimento das OSCs: incluir formalmente a sociedade civil, reconhecer relatórios paralelos e mostrar como o feedback moldou os resultados. 

  • Exigir revisões independentes: os ENV devem incluir validação externa e triangulação de dados. 
  • Desbloquear o rastreador de compromissos: os países devem relatar anualmente as ações tomadas após o VNR. 
  • Expandir as fontes de dados: usar dados desagregados e gerados pelos cidadãos para refletir todas as comunidades. 
  • Localizar os ENV: ampliar as revisões voluntárias locais e subnacionais para aproximar a implementação dos ODS da vida das pessoas.

 

“Se não reformarmos o processo de VNR agora, corremos o risco de repetir velhos erros — entregar mais relatórios do que resultados”, concluiu Oyebisi.

 

E, como Zia lembrou à sala, “sem financiamento democrático e inclusão da sociedade civil, os ODS são uma promessa quebrada”.

 

A mensagem da rede Forus no HLPF é clara:

 

Desbloquear o poder local. Reconstruir parcerias. Resgatar os ODS.

 

Leia o relatório recém-lançado de Forus aqui

/ RELATÓRIOS & PUBLICAÇÕES

Unlocking the power of localisation and multi-stakeholder partnerships to rescue the SDGs | Forus

2025-07-17

Unlocking the power of localisation and multi-stakeholder partnerships to rescue the SDGs

Discover 15+ powerful case studies from across five regions in the Forus network, showcasing how local communities are reshaping the path to achieving the Sustainable Development Goals (SDGs). This groundbreaking report offers practical strategies to reorient SDG implementation from the ground up — prioritising inclusive, locally driven, and community-owned approaches.

Executive Summary - Unlocking the power of localisation and multi-stakeholder partnerships to rescue the SDGs | Forus

2025-07-16

Executive Summary - Unlocking the power of localisation and multi-stakeholder partnerships to rescue the SDGs

The Executive Summary of the "Unlocking the Power of Localisation and Multi-Stakeholder Partnerships to Rescue the SDGs" report presenting over 15 powerful case studies from across five regions in the Forus network, showcasing how local communities are reshaping the path to achieving the Sustainable Development Goals (SDGs). By centering local leadership and multi-stakeholder collaboration, the report highlights transformative pathways to rescue the SDGs and build more resilient, equitable societies.

VNRs at the Crossroads - From Symbolism to Systemic Change | Forus

2025-07-15

VNRs at the Crossroads - From Symbolism to Systemic Change

Are Voluntary National Reviews (VNRs) advancing the 2030 Agenda—or preserving the illusion of progress? As the world enters the final five-year stretch toward the SDG deadline, the time for rhetorical commitment has expired. This comprehensive review—anchored in eight years of civil society monitoring through the Progressing National SDGs Implementation series and reinforced by other published analyses—draws on findings from 366 VNRs submitted by 191 countries. It offers the most robust, independent assessment of the VNR mechanism to date.

A Decade of Accountability - Assessing the Role of Voluntary National Reviews in Advancing the Sustainable Development Goals. | Forus

2025-07-10

A Decade of Accountability - Assessing the Role of Voluntary National Reviews in Advancing the Sustainable Development Goals.

Since their inception in 2016, Voluntary National Reviews (VNRs) have served as a key accountability tool for monitoring progress on the Sustainable Development Goals (SDGs). Designed as country-led and voluntary mechanisms, VNRs aim to peer learning, track national progress, and identify policy gaps, ensuring that governments remain accountable to their commitment to the Agenda 2030. In this report we assess both what has worked and what hasen't in these past 10 years with case studies from national platforms across the Forus network.

- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus
- | Forus